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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Nem assim!

       Fui ao ortopedista…quer dizer…á consulta! O português é mesmo tramado! Fui então à consulta e fiquei com a sensação que isto não vai acabar já. A prótese tá no sítio certo mas vou ter de sofrer muito na fisioterapia! Bíceps nem os vejo, tríceps nem os sinto! Eu nunca gostei de pesos e halteres e vou ter de passar os próximos meses metido num ginásio! Pode ser que assim consiga perder o peso a mais que, de repente, apareceu em mim! Nem sei como aconteceu…! Eu nem gosto nada de comer…

Outra coisa, o ortopedista proibiu-me de jogar ao braço-de-ferro, se o fizer o meu adversário ficará, literalmente, com o meu braço na mão! Temos pena....
Futuramente vou ter de andar com um caderninho ao meu lado, acho que tou a ficar com Alzheimer! Juro! Esqueço-me de muitas coisas e passo o dia a tentar lembrar-me delas!Quando me lembro, esqueço-me outra vez!  Terá sido das 4 anestesias? Já nem sei. Hoje lembrei-me de uma história que aconteceu na 3ª cirurgia! Vou contar agora senão posso esquecer-me! Já estava no bloco e à espera que me injectassem a anestesia, deitadinho e com aquela sensação de frio (medo!!!) … Sabia que o ortopedista era adepto desse clube do Apito Dourado mas nunca pensei que utilizasse métodos baixos e fraudulentos para arranjar adeptos! Sabem o que o ortopedista pediu ao anestesista? Nem imaginam! Foi isto: “ ó doutor, dê-lhe uma dose bem forte para ver se ele se esquece do Benfica e acorda adepto do Porto!” E agora, ainda querem que eu acredite nos médicos? É assim que conseguem arranjar adeptos, nesse clube com nome de cidade e de local de acostagem de barcos? Mesmo assim, desta forma criminosa, não conseguiram mudar nada, antes pelo contrário, fiquei ainda mais benfiquista e a gostar cada vez menos desse clube!
Não é que interesse a alguém mas continuo a não gostar do Natal, que passe depressa e que nem me incomode…por favor!

sábado, 14 de novembro de 2009

Que é isto?



Um dia antes de sexta feira 13 fui ao hospital  fazer (ou tirar?) uma radiografia e à milionésima consulta com ortopedista, íamos ver como estava o cotovelo. Eu já o tinha visto na manha desse dia, mal acordei não resisti e eu mesmo tirei o gesso, cá em casa, mais uma vez! Assustei-me com o volume, estava inchadissimo! Quase que jurava que tinha uma bola de ténis no cotovelo... O coração bateu mais intensamente mas depois de respirar fundo assumi que era uma situação perfeitamente normal, como diria o Paulo Bento. Fiz o RX e quando mo deram para a mão tive que ver como estava! Querem saber qual foi a minha reacção? O que disse? " Que merda é esta dentro de mim? Quem foi o gajo?"
Nem sei o que parece... um prego? Não. Parece uma daquelas coisas que se metem no cuzinho para obrigar o intestino a trabalhar? Não me parece!. Acham que é uma rolha de plástico das garrafa de champanhe? Tem graça, a mim parece-me que sim! Ainda por cima feita de titânio! Cruzes! Credo! Quando pensava que já poderia andar aos saltos (como os sapos voadores), andar de bike, nadar e fazer o amor gostoso desalmadamente à bruta...  nada disso! Quieto, quietinho, sossega o passarinho porque isto tá muito fresco! Preciso de mais 3 semanas de repouso. Que chatice!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Acordei

Lá estava eu, pela quarta vez á espera de entrar no bloco operatório, este era o terceiro bloco que conhecia mas todos são muito frios. Seria dos nervos e do muito medo? No bloco, onde tudo era branquinho com excepção das batas verdes, existia uma ténue luz lilás que me transmitia tranquilidade e ao mesmo tempo parecia que me chamava. Resolvi não ir, ainda era cedo e não tinha, sequer, almoçado! Adormeci… Acordei…abri primeiro um olho, depois outro e depois o outro… Foi de olhos bem abertos que acordei da anestesia com dores que nunca mais acabavam! Tive que lhe chamar nomes e bem alto: SENHOOR ENFERMEIROO! E lá veio ele com um sorriso do tamanho do mundo: ‘tem dores não é? Nem precisei de dizer mais nada, o enfermeiro ‘tratou-me da saúde’ aliviando-me as dores no cotovelo. Com o tempo lembrei-me de um sonho que tive e que parece que não passou disso mesmo! No país continuava tudo igual, a gripe, a crise, o governo, os submarinos e o desemprego. Hum, tudo igual…igual não estava! Não havia greve dos professores, nem dos polícias nem dos funcionários da desTAPada (parece que aquilo anda mal de dinheiro). Diferente estava o tempo, bem mais frio. Desta vez a engenharia que foi realizada no cotovelo do sapo voador foi uma artroplastia da tacícula radial, que me deu direito a 12 agrafos e mais gesso. Acho que no total já levei com 28 agrafos e 5 gessos! Fosse eu estucador…

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Quando acordar...

«A palavra “ANESTESIA” deriva do grego e significa “ausência de sensações”. É um estado induzido por medicamentos e que torna possível a execução de procedimentos terapêuticos e diagnósticos sem dor.» O bom das anestesias gerais é que depois de abusarem de nós, sem sentirmos qualquer tipo de dor ou prazer, acordamos como se nada fosse e pensamos que estamos noutro mundo. Vou ser adormecido e quando acordar espero que algumas coisas e pessoas já não existam. Primeiro espero que as enfermeiras digam o meu nome e o que faço ali deitado, convêm! Se bem me lembro esta vai ser a 4ª anestesia geral que vou ‘levar’, no espaço temporal de um ano! É muito? Não sei… Voltando atrás, eu adorava acordar e descobrir que a astróloga, RP, apresentadora de TV, cronista de jornais/ revistas e capa de revistas de gajos, a estapafúrdia abelha Maya, tivesse desaparecido no mar alto! Por favor, quem a deixou aparecer e falar? Ao acordar nada me daria mais alegria ao saber que um tal de J. Jesus era o verdadeiro Deus! E se ao acordar me informarem que a gripe A tinha passado a gripe B ou C? E se uns certos dirigentes políticos e/ou autárquicos e/ou desportivos tivessem sido condenados e efectivamente presos? Melhor, melhor, melhor, era acordar e ficar a saber que o caso Casa Pia tinha chegado finalmente ao fim! Mais melhor ainda era ficar a saber que a apregoada crise tinha desaparecido, num dia de nevoeiro cerrado. Eu só falei do caso Casa Pia? Foi, não foi? E o Freeport, “submarinos” e “sobreiros”? Eh pá, também não posso acordar e querer tudo resolvido! Queria acordar e ainda ter emprego, tanto tempo sem lá por os pés, já nem sei se fui despedido! Acordava e tinha a certeza que os jogadores da selecção tinham escolhido bem e mais barato! A maior parte dos jogadores preferem ir ao ‘Rock in Rio Lisboa 2010’ e como a data coincide com o Mundial de África do Sul, alguns já vestem a t-shirt “EU VOU”!!! Sempre é mais perto! Não podia acordar e deixar de pensar no Michael Jackson! O rapaz agora tem o problema da música “This is it”, a mesma que dá nome ao filme. Descobriu-se que uma cantora pirosa de Porto Rico chamada Safire já tinha editado a mesma música!!! Mais um tiro nos pés, desta vez nos da editora porque ninguém sabe onde param os pés de Jackson! Há uma coisa que me deixa pensativo… O hospital onde acordei chama-se Hospital Privado da Boa Nova. De certeza que, com este nome, não é uma maternidade? Boa Nova, nascimento, cegonha, berço, criança, tão a ver a ligação? Era bom acordar, pelo menos acordar!

sábado, 4 de julho de 2009

O tal do Steinnman no cotovelo


      Gesso sacado, eu mesmo o retirei e em casa para evitar esperar tempo infinito, e lá fui ao hospital para um novo RX e consulta. Sentei-me na sala de espera, quem encontrei? O grande David, o que tinha sido atropelado pela vaca da mulher! Tinha sido operado novamente e a vaca ainda era viva… Depois de quase 3 horas de espera fui atendido pelo ortopedista. O cotovelo estava impecavelmente “preso” com um fio de metal que deve ter sido inventado por um tal de Steinnman porque o tal fio chama-se…Steinnman! Estava tudo aparentemente a correr bem e era a altura de retirar cirurgicamente o tal fio que mais parecia um ferro espetado no osso. Ouvi nova explicação sobre o tratamento adequado, fisioterapia, e soube da solução final para o cotovelo se o mesmo “der de si” novamente: prótese! Levei nova dose de anestesia, a 3ª desde 5 de Março 2009! Agora resta descansar, devagar para não cansar muito…mais 2 meses e estão aí as vindimas!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O meu cotovelo conheceu o grande David

Meus amigos, a saga do cotovelo não acabou! Esta história é verídica mas irreal ao mesmo tempo! Pensava estar no bom caminho, a recuperar do roubo da tacícula radial a que fui sujeito na 1ª intervenção cirúrgica, quando recebi a péssima e inesperada notícia vinda do Dr. Ortopedista: " caro amigo, tá aqui um caso difícil, você tem uma nova luxação do cotovelo, vamos ter de operar e meter isso no sitio!" Assim, sem a mínima compaixão ou pena! Foi neste dia que vi pela primeira vez o grande David Meireles, oriundo de Arcos de Valdevez, meu companheiro desde esse marcante 14 de Maio. Reencontrei David 4 dias depois, no dia da 2ª cirurgia. O grande David tinha um corpo franzino, pele "gasta" da vida dura do campo, uns grandes olhos azuis carregados de experiências dolorosas da vida que os 58 anos de idade não deixavam mentir. David foi combatente na Guerra do Ultramar em Angola, entre os 1968 e 1970, e num dos braços estava a prova! Numa típica tatuagem realizada no mato podia ler-se "Angola 1968/1970". Por cima desta frase desenhavam-se 2 corações interligados lado a lado dizendo "amor de mãe e pai". Mal regressou à metrópole atirou-se à agricultura onde conheceu a mulher que foi simplesmente a causadora do "atropelamento" pouco usual que foi alvo! Resumidamente David confidenciou-me que a culpa de ter partido o braço foi "da vaca da minha mulher!" Confesso que no início não tinha entendido, eu vi a mulher do senhor David e não tinha nada ‘ar de vaca’ mas logo o meu novo amigo abriu o livro e contou-me tudo. A mulher do David tinha uma vaca, uma grande vaca, que todos os dias deixava num terreno perto de casa para….pastar. No dia fatídico David não queria mas lá teve que levar a vaca pró pasto e a grande vaca, sem dar cavaco ao grande ex-combatente, atropelou-o com uma cornada, causando-lhe ferimentos graves num braço, exatamente no braço das tatuagens! Os olhos do Sr. David tresandavam a raiva quando falava da vaca da mulher dele! Perguntei-lhe o que iria fazer com a vaca, se a iria matar ou vender mas logo me respondeu ”eu bem queria matar a vaca da minha mulher mas ela gosta mais da vaca do que de mim!” David e eu fomos encaminhados para uma sala de espera onde nos despimos e nos fizeram colheita de sangue, ali sem mais nem menos! Fui eu próprio que depilei o braço! Não havia macas para os dois, fomos transportados um da cada vez para o bloco operatório onde ficamos á espera o tempo suficiente para morrermos congelados! Meteram “ferralhas” no braço do meu amigo David e a mim colocaram um fio metálico no cotovelo. Será desta que me livrarei do hospital?